“Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas qualquer um pode recomeçar e fazer um novo fim”. Chico Xavier

Nos colocarmos em posição de análise e reflexão sobre os momentos que se sucedem em nossas vidas é mais que natural. Assim como aqueles momentos em que tentamos ir mais a fundo, buscando mais dados no passado e em nossas raízes que possam nos ajudar a entender melhor o que acontece no presente. E em meio a essas reflexões também é muito comum começarmos a perceber que certas situações andam se repetindo em nossas vidas de modo muito semelhante a situações já vividas por nossos antepassados.

Muitas pessoas enxergam isso com tanta clareza e força que chegam a pensar: “Eu já vi essa história antes! Todas as pessoas da minha família nunca tiveram sucesso nessa mesma experiência em que me encontro. Certamente eu também não terei. É o destino traçado em minha família”.

E se pararmos para pensar em nossos avós, em nossos pais, irmãos, tios, tias, primos e primas e até em nós mesmos vamos notar que muitas histórias se repetiram ou estão se repetindo no momento.

Por que isso acontece?
Será o destino?
Será que isso é bom ou ruim?

São muitos os questionamentos que surgem diante desse tema, mas o importante é tentamos entender se isso está acontecendo em nossa vida e porquê.

Parece um enigma inexplicável que vai contagiando gerações e o movimento é tão sutil que, se não prestarmos atenção, poderemos repetir mesmo os padrões das histórias passadas de nossas famílias.

Isso porque vamos absorvendo conhecimentos que vão sendo passados nas entrelinhas de nossas dinâmicas familiares.

Um exemplo prático e presente em muitas famílias: filhos que crescem sem a presença de uma mãe ou de um pai.

Há quem diga que quem cria um filho sozinho acaba assumindo os dois papeis. Sem dúvida, o amor embutido nessa iniciativa faz com que essa “mãe-pai” ou esse “pai-mãe” se torne o herói idolatrado de qualquer filho e que ofereça o que há de melhor para que seu filho não sinta falta de nada.

Porém, esse filho cresce com a ausência natural de um desses elementos.

Filhas mulheres, por exemplo, podem crescer supervalorizando o papel feminino e desvalorizando o papel do pai pelo fato de não terem compreendido sua importância devido à ausência de participação de um pai em sua vida.

Os anos passam e essa pessoa poderá encontrar com grandes dificuldades de firmar um relacionamento sério (ou até mesmo um casamento) por não acreditar na união conjugal, pois apreendeu pela observação que a união conjugal não é possível de ser verdadeira e bem sucedida, já que não teve a oportunidade de acompanhar um relacionamento mais próximo entre seus pais.

As informações ficaram registradas de modo distorcido na cabeça dessa filha e ela vai crescer com esse sentimento dentro de si, talvez levando muito tempo até compreendê-lo e ressignificá-lo a sua maneira.

A repetição de padrões é algo imperceptível, mas não se trata de destino.

Mas então, como quebrar um padrão de repetições que parecem impedir que caminhemos em direção a algo melhor?

Podemos fazer algumas perguntas para tentar encontrar possíveis respostas:

  • Em que cenário ou situações acontecem essas repetições?
  • Até que ponto as coisas fluem e a partir de qual momento os bloqueios começam a surgir?

É importante refletir olhando a nossa volta e procurando caminhos alternativos, imaginando como solucionar determinada questão, os recursos que poderiam ser usados, etc. E assim, mais conscientes sobre o que se passa e sobre aquilo que verdadeiramente desejamos, poderemos quebrar os ciclos repetitivos em nossa vida.

Somos donos do nosso destino mas corremos o risco de passarmos muito tempo observando desfechos de histórias infelizes (que não são as nossas), acreditando que isso também é herança nossa. E não é!

Pode não ser fácil quebrar um ciclo. Provavelmente, ao tentarmos quebra-lo e ir contra a tudo que nos induz a repetição, ouviremos sugestões que poderão nos levar a desistência, a falta de amor-próprio, a falta de fé na vida, e não é isso que queremos.

Como lição de casa, procuremos resgatar e pensar em tudo que nos parece ter dado “errado” ou ter apresentado muitos impeditivos em algumas circunstâncias de nossas famílias. A partir daí, imaginemos o que realmente queremos para as nossas vidas.

Pensemos também em tudo aquilo que foi bom, que faz o nosso coração vibrar e que gostaríamos de repetir!

E pra finalizar, mais algumas reflexões:

  • Onde queremos chegar?
  • Como queremos envelhecer?
  • Com uma família enorme, cheia de filhos, netos, bisnetos?
  • Tendo monte de aventuras para contar e inúmeras fotografias dos lugares por onde passamos para mostrar?
  • Morando num lugar tranquilo onde o silêncio e o som da natureza imperem?
  • Num cotidiano descontraído, repleto de brincadeiras?

Somos nós que decidimos. Repetir ou enfrentar as surpresas dos novos desafios.

Vamos construindo uma cena que possa traduzir a felicidade e a plenitude almejada para o nosso sonhado ponto de chegada.

Foquemos nesta cena e seremos capazes de quebrar, refazer e iniciar novos ciclos, valorizando o passado, mas também o presente, de uma maneira diferente, com determinação, autoconfiança e muito amor envolvido.

Sejamos felizes!

Karol Peixoto

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