Há momentos em nossas vidas em que os nossos sentimentos parecem entrar em colapso nervoso.

Apesar de passarmos o tempo todo aprendendo a controlá-los, chega uma hora que não dá mais para disfarçar e as sensações ficam à flor da pele, gerando sempre muito desconforto.

Uns colocam para fora esse mal-estar através do grito, da expressão da raiva, da irritabilidade, falando tudo que vem à cabeça a quem cruzar o seu caminho. Outros choram, falam sozinhos, ficam pensando e repensando os fatos, avaliando culpados, falhas, o que poderia ter feito diferente e terminam guardando tudo para si.

O que chama a atenção é que tanto aquele que extravasa o que sente quanto aquele que não compartilha suas emoções, estão sempre entrando em contato com questões que os levam a saírem de si e que trazem muito incômodo e até certa culpa.

Para ilustrar, citamos alguns exemplos de situações e sentimentos que podem gerar sensações ruins:

  • Ficar desconcertado quando alguém começa a falar de determinado assunto;
  • Sentir-se mal quando vê alguém comemorando uma conquista;
  • Sentir raiva e vontade de brigar ao receber críticas sobre seus comportamentos e ações;
  • Sentir-se culpado por desejar algo que considera ser inaceitável para os outros;
  • Sentir vergonha e agir escondido diante de alguma circunstância.

Todo o tipo de mal-estar que identificamos em nós mesmos é um sinal e um convite para resolvermos questões que carecem de entendimento para que elas possam deixar de nos afetarem negativamente.

Isso porque uma pessoa em estado de equilíbrio e saúde emocional deve sentir-se leve, alegre, positiva e de bem consigo mesma.

Quando a maneira de ver e sentir a vida começa a ficar distorcida, pesada, confusa, complicada, tudo indica que existe uma trava emocional que precisa ser removida para que se possa recuperar o equilíbrio e o bem-estar.

Então, como identificar esses bloqueios que nos levam ao desequilíbrio emocional?

E como promover a reforma íntima através deles?

Para identificarmos esses bloqueios, é preciso refletir sobre os momentos de tensão vividos e procurar fazer alguns questionamentos, como:

  • Que pessoa ou circunstância me fazem sentir mal?
  • Isso sempre acaba acontecendo e eu nunca consigo entender o porquê sou afetado?
  • O que eu ainda não entendo que me faz perder o controle de mim mesmo?
  • O elemento que me tira do eixo está em mim ou nos outros? Ou será que está dos dois lados?

A questão é que ninguém é capaz de acionar nada em nós que não esteja presente em nosso íntimo.

Por exemplo, ninguém tem o poder de nos irritar. Mas nós nos irritamos com algo que foi acionado em nós e que ainda é uma trava limitante e mal compreendida, caso contrário não nos afetaria negativamente.

Um outro exemplo: sentir-se mal com a maneira que alguém olha ou fala com você.

Não se pode esquecer que tudo que captamos da vida faz parte de uma interpretação essencialmente nossa. Às vezes temos a impressão de sentirmos as intenções de outras pessoas e temos tantas convicções que tomamos algumas impressões como óbvias e, nem sempre são tão óbvias assim. Existe a possibilidade de termos certos bloqueios de interpretação que não nos permitem enxergar um outro lado das situações, que pode ser positivo. Isso nos ajuda a entender que, as sensações que nos causam mal-estar às vezes tratam apenas de entendimentos distorcidos. E para isso, precisamos sempre estar abertos a ampliar os nossos conhecimentos.

Resumindo: o que nos traz sensações ruins pode até ser captado de ações exteriores, mas numa maior parte dos casos, existe alguma questão incompreendida em nós mesmos que deve ser esclarecida para que possamos clarear os pensamentos e emoções e começar a observar a vida através de uma nova ótica.

Nossa referência sempre deve ser a de que somos seres de luz, amor e perfeição.

Tudo que é diferente disso em nós precisa ser avaliado e nos convida para o início de um processo de reforma íntima.

Aceitemos esse convite, fazendo contrapontos com as emoções que se apresentam. Alguns exemplos:

  • Quando nos sentirmos ofendidos por alguém, ao invés de ficarmos tristes ou magoados, vamos procurar entender o que leva o outro a agir de determinado modo, afinal, não fomos nós que causamos a ofensa. Procuremos separar o que está no outro e o que está em nós. Se está no outro, devemos serenar os corações e deixar passar. Lembrando que ninguém tem o poder de nos magoar a não ser que nos coloquemos nessa posição.
  • Quando nos sentirmos desconcertados com determinado assunto ao invés de nos escondermos e achar que há algo errado em nós ou que devemos nos excluir por não termos conhecimento suficiente para interagir, vamos procurar aceitar o que não sabemos e perguntar mais, procurar entender determinado assunto pela pesquisa ou até solicitando a opinião dos outros na posição de um louvável curioso, vamos procurar trocar experiências novas com a humildade de um aprendiz. Quando nos preocupamos demais com que os outros vão pensar de nós, nos limitamos e deixamos de viver. E essa trava somos nós que colocamos, acreditando que deveríamos ser diferentes, desistindo de crescer e esquecendo que o aprendizado constante faz parte do processo evolutivo de todos nós;
  • Quando não entendermos o porquê nos sentimos tristes ao ver alguém comemorando algo, procuremos nos libertar desse sentimento procurando resgatar aquilo que gostaríamos de comemorar em nossas vidas pois o sentimento de tristeza nesse caso pode ser um sinal de que existe algo muito importante a ser conquistado em sua vida. Por isso, não devemos simplesmente ficar tristes. Devemos sempre nos perguntar o porquê desse sentimento e buscar o aperfeiçoamento. O mal-estar nunca vai passar enquanto não lutarmos por aquilo que acreditamos ser importante para a nossa felicidade.

Sendo assim, entendemos que todo desequilíbrio e mal-estar emocional é gerado por nossas limitações pessoais.

O fluxo da vida deve seguir sem bloqueios, com sentimentos de paz, amor, harmonia assim como acontece na natureza.

Que possamos aproveitar esses momentos de desconforto e avaliar a base de nossas análises, nossas crenças e que possamos ampliar o nosso campo de visão e passar a olhar por uma nova lente que reflita mais cores, leveza e alegria.

Sejamos felizes!

E se gostou desse artigo, curta, compartilhe, comente!

Um abraço carinhoso.
Karol Peixoto

Comentários